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Hora marcada no relógio, mas todas as outras horas do dia
foram passadas a pensar em ti. Hoje apetecia-me
ver-te e ter-te. Ver-te mesmo como és, ver-te sem preconceito, sem superstição.
Mesmo sabendo que tu já não és quem pensas ser. Queria ver-te sem existir mais
algum significado do que aquele que és para mim. Ver-te só a ti. Ver-te no
significado mais profundo do verbo amar. E deixares-me fazer de ti só minha
outra vez.
Ninguém te vê como
eu. Ninguém. Nem ninguém te deseja tanto como eu. És a sina dos meus dias, a
fuga dos sentimentos maus. E queria ter-te aqui, mesmo hoje. E ver-te. Mas
cheira-me a impossível, por isso já fugi. Agora estou num sonho onde és minha e
eu sou teu. Brilhamos os dois, mas o teu brilho supera o meu. E o teu cheiro… O
teu cheiro preenche todos os buraquinhos deste quarto escuro. Vai cheirar para
sempre a ti este quarto que agora não tem luz.
Volta. Volta tu e o teu sorriso perfeito. Volta tu e o teu
corpo de loucura. Volta tu e trás na boca de novo o teu sabor, não preciso de
diálogo. Trás apenas de novo o teu calor, o teu perfume, o teu corpo e a ti.
Não precisas de dizer que vais ficar. Precisas apenas de voltar, pouco ou muito
tempo não interessa.. Volta! Volta e não te esqueças de me trazer o teu amor,
esse não podes deixá-lo aí onde estás agora. Quando voltares trás sempre o teu
amor, eu prometo que cuido bem dele. Mas volta. Só te quero a ti. Vem e volta.
Trás o amor que dantes idolatravas e agora mandas-te fora. Vai buscá-lo de novo
e traz-me a ti e a ele de volta. Vem adormecer os meus lábios. Volta e vem
marcar o meu corpo, vem fazer suá-lo, vem arrancar o pó que deixas quando te
foste embora. Eu sou só teu.. Já não consigo entender lágrimas que decaem sobre
mim e me fazer sentir ainda mais a tua falta. Volta. Volta. Nunca te esqueças,
só quero apenas isso, que voltes, nunca te vou exigir mais. Nunca vou ser eu a
prisão e o desgosto que tanto odeias. Volta.

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